Agora estou vivendo a experiência de ser pai. Não é tarefa fácil expressar com palavras escritas à respeito de um sentimento que ainda se amadurece em meu ser. Prontamente posso afirmar que é algo meio estranho; digo isso porque tento ser o mais racional possível, sabendo que o mundo real não é feito de coisas unicamente positivas, quando se trata de paternidade em seu sentido amplo.
A sociedade alimenta melosidades e cria paradigmas desonestos para os pais ideológicos. Ou seja, em sua maioria, essa coloca em segundo plano as realidades desse momento. Eu, graças a Deus, tenho a bênção de ter uma excelente esposa, pais e sogros; futuros, ou, agora, em particular, avós do meu filho. Isso resolve a maioria do problemas logísticos de se ter um. Na maioria das situações, um bebê e todo o seu "espaço semântico", é muito bem recepcionado por todas essas "personagens" citadas, numa situação normal e agradável, claro. Entretanto, muitas outras esferas de dificuldades também são experimentadas única e majoritariamente pelos pais. É mais ou menos assim na prática: quando o bebê nasce e quando você é uma pessoa basicamente organizada e sempre tentou manter sua casa limpa, não se tendo empregada: sua casa não ficará mais tão limpa e organizada quanto antes, e o pior, sua disposição para organizá-la já não será também mais a mesma. Se você ama estar com sua esposa, fazendo nada, saindo pra lugares fúteis ou não e falando de pessoas alheias; isso infelizmente já não se dará da mesma forma e você se queixará psicologicamente o porquê de algumas transformações, até chegar ao ponto de após algumas conversas, descobrir que é exatamente essa a razão. Claro, que no caso dos pós-leitores deste meu texto, serão outras questões, novas, que quem sabe, você também me fará lê-las. Fato é que enquanto você, isso é, se for uma pessoa um tanto quanto reflexiva como eu, tenta descobrir as razões de algumas transformações não óbvias e superficias dessa realidade, mas aprofundadas, filosóficas até, desse "momento de paternidade", sua amada companheira simplesmente se vislumbra e delicia de ter um bebê sugando literalmente a sua chance de alimentar a vida.
Ou seja, é praticamente um conflito antropológico-existencial. E, sendo um pouco mais minucioso, você ainda pode ser cobrado por uma falta de assistência emocional, físico-amorosa verbalizada e praticada e, fechando a conta e passando a régua, qual o porquê de não se ter mais um filho, quando todo o sonho e planejamento de ambas as partes, desde que eram adolescentes e começaram a namorar, era apenas 1(um/one/uno) filho. É assim! De repente... tudo muda! Novas possibilidades... novos hábitos comportamentais, enfim... até que em alguns meses após ao nascimento, inicia-se uma harmonização da prática desses novos hábitos. Estou tentando descobrir se por costume e adaptação a estes, ou, surgimento de sentimento de prazer e conforto a tal realidade. E exatamente aqui que poderíamos tratar sobre estes. Mas, deixo isso pra próxima postagem. Grande abraço e excelente tarde.
(Enforcamento de feriado e eu no trabalho preenchendo o tempo)
SALADAS LITERÁRIAS
Este espaço é reservado para discussões sobre temas diversos atuais ou antigos, mas que de alguma forma influenciam e tornam-se esclarecedores. Religião, literatura, moda, sexualidade, música, teatro, saúde, beleza etc... "uma salada só", mas quando bem preparadas e com bons ingredientes literários, as "saladas" são, com certeza, nutritivas e promovem saúde física, moral, espiritual, social, intectual e outros "ais" por aí... kkk ! Conto com sua participação e comentários por aqui, fique à vontade, critique... escreva! Abraços!
"(...) Grande coisa é haver recebido do céu uma partícula da sabedoria, o dom de achar as relações das coisas, a faculdade de as comparar e o talento de concluir (...)"
Machado de Assis - Memórias Pórtumas de Brás Cubas
"(...) Grande coisa é haver recebido do céu uma partícula da sabedoria, o dom de achar as relações das coisas, a faculdade de as comparar e o talento de concluir (...)"
Machado de Assis - Memórias Pórtumas de Brás Cubas
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